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segunda-feira, 5 de março de 2018

Nudez na Antiguidade Grega

Discóbolo., c. 450 a.C. Cópia romana em
mármore 
da original em bronze de Myron, 
altura 155 cm. Museo Nazionale Romano, Roma.



























Como a história da Antiguidade Grega faz parte do currículo escolar, na disciplina de História e possivelmente em Artes, achei importante incluir uma nota da arte grega nessa série sobre nudez. 

Há uma grande quantidade de nus masculinos nas esculturas em mármore e também em outros suportes, como na pintura em cerâmica. A nudez maculina era uma forma de enfatizar o vigor físico  e a perfeição do corpo. Já o corpo feminino não costumava aparecer nu. As mulheres apareciam normalmente vestidas. A figura feminina que costuma aparecer nua ou com o torso descoberto é Afrodite, deusa da beleza e do amor. A nudez de seu corpo evoca sensualidade e os gestos mostram delicadeza. 

Vênus de Milo.c 200 a.C.
Mármore. Altura: 202 cm; Louvre, Paris.
Por Livioandronico2013 - Obra do 
próprio, CC BY-SA 4.0, 
https://commons.wikimedia.org/w/
index.php?curid=54858474






























A sociedade grega valorizava o corpo como um todo. Acreditava-se no conceito de calor corporal: os homens teriam maior calor corporal do que as mulheres, o que conferia a eles maior vigor físico. As mulheres apresentavam menor calor corporal, e eram por isso submissas.
Um homem saudável não precisaria de roupas para manter o corpo aquecido, e por isso, em amibientes de atividades exclusivamente masculinas, eles costumavam se apresentarem nus ou com roupas largas, que  não escondiam seus corpos. Já às mulheres não era permitido que se mostrassem nuas.

Oficina de um escultor grego, c. 480 a.C. Cena do lado inferior de uma taça.
À esquerda, fundição em bronze com esboços na parede, à direita,
homem trabalhando numa estátua sem cabeça.
Diâmetro: 30,5 cm. Antikensammlung Staatliche Museen, Berlim.


















Para quem quer aprofundar, há bastante material sobre a representação do corpo na arte grega. Recomendo alguns:

Livros:
A História da Arte, de E. H. Gombrich;

Uma Nova História da Arte, de Jullian Bell;
  
Capitulo Breve Histórico da Representação social do Corpo - do Egito ao século XIX, do livro O Corpo como Suporte da Arte, de Beatriz Ferreira Pires;

Vídeo: 
The Human Body in Greek art and Society - em inglês, não tem legendas :/ https://www.youtube.com/watch?v=NfWd9QZfils&t=69s

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Nudez na minha produção


Serpente IV, Amanda Branco. Van Dyck Brown sobre algodão. 
2009




Neste momento abordar o tema da nudez em arte é bastante necessário, para não nos perdermos em extremismos. O post anterior foi pouco divulgado no Facebook, e quando tentei impulsionar a publicação na minha page, o anúncio não foi autorizado, porque não são permitidos anúncios contendo nudez, mesmo que seja artística. A imagem que aparecia nesse post no Facebook é aquele detalhe do teto da Capela Sistina. Ou seja, uma imagem que está exibida dentro de uma igreja foi censurada pelo Facebook! Entendo a procupação de se querer evitar pornografia na rede social, mas também acredito que as coisas não precisam ser assim extremas! Existe muito sobre nudez além da pornografia.

Então, continuando a série sobre nudez nas artes, vou abordar um pouco sobre a minha própria produção. Espero conseguir mostrar porque esse tema é tão importante para mim.
Religare VII, Amanda Branco. Goma Bicromatada sobre madeira. 2017



















Para começar, a arte muitas vezes usa linguagens simbólicas e alegorias. A imagem de uma pessoa nua não precisa ser entendida de forma literal. A nudez pode evocar sensações e idéias que compõe uma poética, o que é um motivo para aparecer na arte em diferentes contextos.

Nudez caracteriza-se como a ausência de roupas. A roupa é social: é algo que escolhemos mostrar ao outro que nos olha. Pode trazer informações sobre cultura, etnia, status, idade, personalidade... E em geral é pautada pelo gênero, mas isso atualmente está sendo questionado por algumas pessoas.

Já o corpo nu está desprotegido, tanto do frio quanto do olhar alheio. Pode então transmitir a sensação de vulnerabilidade, ou de empoderamento, dependendo de como é retratado. Nas minhas fotografias, busco uma imagem mais próxima da "essência" da pessoa, do que o corpo coberto com camadas de tecido, que podem funcionar como uma máscara. Ao vermos uma pessoa nua, a pessoa se sobressai, ficando seu status social, sua localização geográfica etc em segundo plano... É como se estivéssemos visualizando o ser humano que está muitas vezes escondido sob camadas de cultura. A nudez aparece como estar despido de tudo o que não faz parte de sua natureza, de tudo o que é socialmente construído.

Aqui pode haver uma aparente contradição: nas minhas fotografias o corpo aparece coberto por grafismos, pinturas corporais. Para algumas pessoas isso pode ser percebido como uma roupa, como o que foi escolhido mostrar. Porém, em uma sociedade como a nossa, não seria um traje aceitável para se usar em locais públicos. Não esconde o que as roupas costumam cobrir, então ainda conserva boa parte da característica da nudez. Esta aparece como escolha poética, como uma tentativa de lembrar que somos muito mais do que o que nossas roupas mostram.

Animus V, Amanda Branco. Cianótipo e Goma
Bicromatada 
sobre papel. 2012


























Emacipação, Amanda Branco. Acrílica sobre tela. 2016

























Religare VI, Amanda Branco.
Goma Bicromatada sobre 
madeira. 2017

Serpente IX, Amanda Branco. Van Dyck Brown sobre papel. 2009


segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Sobre Pintura Corporal

Pintura corporal para a série Religare, 2017

















As pinturas corporais aparecem em vário dos meus trabalhos, é uma parte importante da minha produção. Como mencionado no post sobre a Série Serpente, esse processou surgiu a partir de estudos sobre as pinturas corporais indígenas. É um tema que me pegou. A decoração da pele me atrai bastante, fico fascinada por grafismos corporais e tatuagens também - apesar de não ter nenhuma até o momento.

Na minha produção, o ato de se pintar aparece como um ritual, podendo ser bem demorado dependendo do que se faz. Algumas pinturas que fizemos (o Aldrin e eu) levaram 8 horas para ficar prontas. Isso por que é um trabalho minucioso, desenhando cada grafismo. É necessário se concentrar no momento presente,  no que se está fazendo -  o que pode ser prazeroso, e um alívio para a mente acostumada com a multitarefa.

Os padrões repetido sobre corpo parecem criar um efeito hipnótico. Ter o próprio corpo pintado é uma experiência, uma vivência. Entre alguns povos indígenas,  a pintura corporal é usada em rituais, simbolizando uma transformação. E isso é algo que pude sentir nas vezes em que tive o corpo pintado. A pintura parece ter esse poder de transformação. 

Ao longo dos anos experimentei diferentes materiais para a pintura: lápis de olho, que funcionou para pequenas áreas do corpo, urucum e henna, que foi frustrante: não consegui um bom resultado com nenhuma das duas. O que eu pintei saía facilmente com água ou suor; com canetas hidrográficas, que funcionaram bem; delineador e uma pintura facial líquida, que não tiveram um resultado tão bom; e pancake artístico. Esse funcionou muito bem.

Além do material, também fomos desenvolvendo a técnica, a forma de pensar e dividir o corpo para a pintura ficar bem distribuída. Como as formas do corpo são irregulares, o processo é muito diferente de desenhar sobre uma superfície plana. Abaixo estão algumas das pinturas que realizamso tendo o corpo como suporte.

Primeiros experimentos com lápis de olho, para a série Grafismo, de 2008.

















Mais desenhos para a série Grafismo.

















Imagem para a série Grafismo, 2008.
























Imagem "crua" para a série Serpente,  2009.



















Aldrin se pintando para a serie Animus (2012).



segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Exposição Religare - 2017

Na abertura da exposição
















Enfim começamos 2018! Que tenha artes, fotografia e experiências para compartilhar!

No fim de 2017 tudo aconteceu muito rápido. Finalizei a minha dissertação de mestrado, realizei a defesa e a exposição, que foi a primeira individual desse porte, e durou poucos dias; nem consegui um tempo para escrever aqui! A exposição aconteceu entre os dias 6 e 8 de Dezembro, na Galeria do Instituto de Artes da Unesp. Agora gostaria de mostrar um pouco para quem não pôde ver pessoalmente.

Religare é uma expressão em latim que significa “religar”, “reunir o que foi separado”. O trabalho aqui desenvolvido traz a poética de buscar reunir a pessoa fragmentada, que vive em um ritmo frenético de trabalho e informações cada vez mais onipresentes, com as tecnologias digitais. Sem tempo de silenciar a mente, sem tempo de se conectar a si mesmo e ao momento presente.

A Série Religare enfoca a busca por uma introspecção, pela ancestralidade e pelo sagrado, com a produção artesanal de imagens e o enfoque no corpo. Algumas imagens fazem alusão a posturas de Yoga — arte milenar praticada pela artista há alguns anos, e que tem por objetivo reunir corpo, mente e espírito. O corpo, instrumento da ação humana, traz a intenção de estar presente na ação, sem se preocupar com o futuro ou remoer o passado.

A série apresenta a própria artista como modelo com o corpo coberto por grafismos, releitura de pinturas corporais indígenas. A produção é híbrida, unindo a captação digital das imagens a processos artesanais: o desenho sobre o corpo e a revelação com o processo fotográfico goma bicromatada.

As imagens se propõe a deter o olhar. Esse pode ser um começo para que o fruidor cesse um pouco os pensamentos sobre outros tempos, pessoas e lugares, e preste atenção no que está diante de seus olhos.

Além das imagens produzidas da série Religare — que continua em desenvolvimento — a exposição também apresenta o seu processo, que reúne técnicas antigas e novas. São expostos os negativos digitais, alguns materiais e imagens de processo, bem como o “diário de bordo” da revelação das imagens

Também foram expostas as séries Serpente (2009) e Serpente em Madeira (2015).


Religare I a V














Religare X a XII

Religare I a IV.



Módulo com materiais e imagens do processo

À frente, negativos digitais usados no processo. Ao fundo, testes de revelação.

Ao fundo, série Serpente sobre Madeira. À direita, série Serpente.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Mostra Artística - Segunda Jornada Internacional de Pesquisa em Arte







































Amanhã, terça-feira, será a abertura da 2a Jornada Internacional de Pesquisa em Arte da Unesp.
O evento dá uma previa de pesquisas em andamento, através da Mostra Artistica e das Mesas de Comunicação. Também haverá palestras de pesquisadores convidados, incluindo a artista Rosana Paulino, desse post aqui.

A programação que você ode conferir no site da Jornada

Vou participar da Mostra Artística com obras que são parte da série Indivisível, produção da minha pesquisa de mestrado. São três fotografias reveladas em goma bicromatada sobre madeira, e em tamanho grande - a área da imagem é de 88 x 150 cm! Falei sobre a goma bicromatada neste post. As imagens foram feitas a partir do mesmo negativo, mas com pigmentos diversos, e tratamentos diferentes. Os resultados são bem diferentes, mostrando algumas possibilidades do múltiplo a partir de uma única matriz.

AVISO: contém nudez! Trabalho com nu artístico desde a graduação, mas sempre considerei as imagens que produzo muito palatáveis, tranquilamente aceitas. Talvez pelo fato de não serem fotografias muito nítidas, e acabam ficando com aspecto de gravura ou desenho. Os processos artesanais costumam diminuir a nitidez da imagem, e acrescentar ruídos, o que diminui o impacto de uma possivel genitália aparecendo. Mas nesses tempos em que tanta coisa no mundo da arte está sendo acusada de agredir "a família, a moral e os bons costumes", é válido avisar.

Vamos?


3 de Setembro - terça-feira
Abertura Oficial do Evento: 14h10
Abertura da Mostra Artística: 17h - Galeria de Arte Alcindo Moreira Filho
A Mostra ocorre entre os dias 3 e 6 de outubro.

Instituto de Artes Unesp
Rua Dr. Bento Teobaldo Ferraz, 271
Barra Funda, São Paulo

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

A Serpente

Hoje gostaria de voltar ao início, e falar sobre a primeira série fotográfica que realizei com processos artesanais, a Serpente. Esse trabalho começou em 2008, com uma pesquisa que eu estava fazendo na faculdade sobre culturas indígenas, e em especial a pintura corporal. Quis fazer uma releitura dessas pinturas no meu próprio corpo, registrando em fotografia. Mas logo percebi que, nesse trabalho, a fotografia não era apenas um registro, mas a própria obra. Por sugestão do professor que estava orientando o projeto, Agnus Valente, comecei a revelar as imagens com a técnica Van Dyck Brown, que eu já mostrei nesse post. Nesse momento não tive resultados satisfatórios, foi só o primeiro contato.

Eu queria representar nas imagens uma espécie de ritual solitário, algo que se aproximasse de uma sessão de yoga, um momento de se conectar consigo mesmo. A propósito, yoga
em sânscrito significa justamente união, reunir. Então, eu fui criando uma mistura que eu nem imaginava, unindo pintura corporal com yoga, e depois a fotografia artesanal. Mal sabia eu que continuaria pesquisando esse processo por quase 10 anos, até o momento!

No ano seguinte (2009), para o Trabalho de Conclusão de Curso, decidir refazer esse trabalho, aprofundando a pesquisa. Pesquisei sobre as pinturas corporais indígenas, sobre o desenho utilizado, que é conhecido por nós como "grega", e sobre o simbolismo da serpente. Percebi que a pintura corporal se relaciona com o símbolo da serpente, apontando para uma transformação, visto que as serpentes mudam de pele. Em outro post vou aprofundar essa relação, e também vou escrever sobre o processo de pintura corporal.

Dessa vez realizamos a pintura no corpo todo. Digo realizamos por que o artista Aldrin Booz já estava me auxiliando nesse processo, ajudando a fazer a pintura, a definir a organização do desenho no espaço, e a captar imagens, since 2008 (Gratidão pela parceria!). 

A parte final dessa obra foi realizar a revelação das fotografias em Van Dyck Brown, dessa vez com algodão cru como suporte. Aliás, foi nesse momento que eu aprendi a revelar usando esta técnica. Hoje é engraçado lembrar o quanto me atrapalhei nessa época, mas foi parte do aprendizado.

Serpente I, Amanda Branco, 2009. Van Dyck Brown sobre algodão. 
52 x 44 cm.





















Serpente II, Amanda Branco, 2009. Van Dyck Brown sobre algodão. 
52 x 44 cm.






















Até então eu não tinha entendido que é possível trabalhar em um ambiente apenas sombreado; não é necessário usar apenas a luzinha vermelha de laboratório fotográfico. Fiz a aplicação da emulsão no tecido em casa mesmo. Eu havia encapado a lâmpada com camadas de celofane vermelho na tentativa de simular a luz vermelha. Com a luz muito baixa, não enxergava bem o que estava fazendo, e deixei  a emulsão respingar bastante nas margens das fotografias - o que foi um acidente, mas eu gostei e incorporei o resultado. Assim foram as primeiras lições do processo rs

Eu queria fazer muitas imagens ao mesmo tempo, o que hoje eu acho inviável. E não gostava de perder tempo fazendo a tira de teste (teste feito para calcular o tempo ideal de exposição à luz), e por isso acabava deixando muitas imagens superexpostas ou subexpostas. É sério, se você quiser fazer fotografia artesanal, faça o teste, para evitar desperdiçar tempo e material. Algumas das imagens eu revelei usando a luz do sol, e nesse caso é mais difícil precisar o tempo de exposição à luz, pois a intensidade varia durante o dia. Dessa forma o controle sobre o processo é menor.

Serpente III, Amanda Branco, 2009. Van Dyck Brown sobre algodão. 
52 x 44 cm.


Serpente VI, Amanda Branco, 2009. Van Dyck Brown sobre algodão. 
52 x 44 cm.

Também apareceram algumas manchas, talvez porque o suporte ainda estivesse um pouco úmido quando foi exposto à luz. O Van Dyck Brown pode ser bem temperamental, principalmente quando a pessoa não tem experiência, e acaba sendo desatenta...

Serpente IV, Amanda Branco, 2009. Van Dyck Brown
sobre algodão. 
44 x 52 cm.

Serpente V, Amanda Branco, 2009. Van Dyck Brown
sobre algodão. 
44 x 52 cm.

Serpente VIII, Amanda Branco, 2009. Van Dyck Brown
sobre algodão. 
44 x 52 cm.

























































Serpente VII, Amanda Branco, 2009. Van Dyck Brown
sobre algodão. 
44 x 52 cm.



























Mas, mesmo com esses "contratempos", esta foi a primeira série que revelei e tive bons resultados. E principalmente, Serpente abriu esse caminho para minha produção, me deu uma mostra do potencial da fotografia artesanal, e trouxe essa vontade de conhecer, de pesquisar e criar mais.

Serpente IX, Amanda Branco, 2009. Van Dyck Brown sobre algodão. 
52 x 44 cm.

























terça-feira, 29 de novembro de 2016

Pintando!

Detalhe da pintura.



















Quem me acompanha no Facebook viu que postei recentemente vídeos de processo de pintura. Como você pode ver, eu não trabalho apenas com fotografia. Na verdade, fotografia e pintura são apenas diferentes formas de produzir imagens; e eu não me identifico como pintora ou fotógrafa, mas sim como artista. 
Estava há bastante tempo sem pintar, e esse ano foi bem estranho devido a uma tendinite que dificultou fazer trabalhos manuais.  Então, conseguir retomar esse trabalho, me sentindo bem melhor agora, ainda que com alguma dificuldade, é muito gratificante!
Primeira demão de tinta, bem aguada, para demarcar um
esboço das cores


























Essa pintura, feita com tinta acrílica, foi realizada para a exposição coletiva Nós Mulheres, apenas com artistas mulheres, a convite da Mary D., do Family Art br. Achei um bom momento para voltar ao desenho e à pintura. E também uma oportunidade para abordar o tema do sagrado feminino. 
Pensava nas mudanças ocorrendo entre mulheres, questionando algumas coisas que eram feitas de modo automático, e enfim conseguindo quebrar alguns padrões opressores, que de alguma forma iam contra sua natureza. Questionamentos de padrões de beleza, padrão de corpo, de cabelo, de comportamento. Sua natureza e criatividade podem agora fluir de forma mais livre, mais plena.

Chegando mais próximo da tonalidade geral da pele.
Meu "godê" todo misturado. Nem lembrava, mas foi feito reaproveitando uma
embalagem de ovos rs.







































Desde o início eu pensei em tons verdes e alaranjados para esta tela. A pele amarelo esverdeada acabou surgindo naturalmente. Para mim é bastante natural trabalhar com cores, na forma de tinta. Misturar as tintas e harmonizar as cores é prazeroso. Quando fiz o curso de desenho e pintura (lá em 2003...) aprendi a criar a sombra de um objeto com a cor complementar à sua. Brincar com isso e deixar as sombras coloridas, vibrantes, traz resultados visualmente ricos.
O nu é um tema que eu venho trabalhando há tempos, em desenho, pintura e também na fotografia. Busco representar as pessoas despidas de máscaras, rótulos, status. Sem as roupas é difícil identificar profissão, cultura, e até a época. Assim se sobressai o humano.
Os padrões geométricos fazem parte da minha obra, criando ritmos hipnóticos. Desde que comecei a estudar grafismos indígenas, comecei a incluir padrões geométricos em diversas obras. Para mim é interessante por que o geométrico é o produzido pelo homem, pela cultura, contrastando com as formas orgânicas do corpo, domínio da natureza.

Mesa de trabalho com a pintura já finalizada. No caderno está o esboço inicial
para essa obra. A composição é praticamente a mesma.




















É uma imagem bem dinâmica e vibrante, ainda que a figura aparente estar parada. A pose, inspirada no yoga, é de força e equilíbrio. Bem necessário para quem procura desenvolver-se e evoluir.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Cianótipo e o Ensaio Circense

Para mostrar os processos fotográficos artesanais, escolhi começar com o cianótipo.
O cianótipo é uma das técnicas mais fáceis de fazer, pois só precisa de dois químicos, e a revelação é
feita em água corrente. Basicamente a substância fotossensível é uma mistura de soluções de ferricianeto de potássio e citrato de ferro amoniacal. Essa mistura tem cor amarelo claro,  mas o resultado final é em tons de azul.
Porém, por conta de algum mistério, quando eu preparo com os químicos que comprei, a cor da mistura já é azul bem escuro. Convido aqui o leitor que souber o porquê a deixar um comentário...eu realmente quero descobrir!
Prosseguindo, esse papel sensibilizado é exposto à luz em contato com o negativo. Nesse caso, praticamente só a luz do sol resolve...outras fontes de luz são fracas!  Posteriormente, a imagem é revelada em água corrente. Depois o papel é seco, concluindo o processo. Para quem quiser se aventurar, a receita está bem explicadinha aqui no Alternativa Fotográfica.
Ensaio Circense I, 2012. Cianótipo sobre papel.


















O Ensaio Circense foi feita com esta técnica. A captação das imagens foi feita com uma toy câmera. Realizei o ensaio com o Alan Quinquinel, meu colega nos tempos da faculdade de Artes na Unesp. Depois ele começou a se dedicar às artes do corpo, o que ele faz muito bem!
Naquele dia nos encontramos por acaso no circo do Instituto de Artes. Eu estava com uma câmera Lomo, e pedi para fotografar enquanto ele praticava. A iluminação estava baixa para fotografar com câmera de brinquedo, era ambiente interno, eu só tinha um filme ASA 200, e estava sem flash. Trabalhar com duplas exposições (como mostrei no post Começando) foi uma forma de contornar o problema da iluminação, e gerou resultados mais interessantes do que se eu estivesse trabalhando nas condições ideais de  iluminação.
Ensaio Circense II, 2012. Cianótipo sobre papel.

























Em alguns momentos as duplas exposições revelam a passagem do tempo, mostrando posições consecutivas no espaço, e em outros, é a câmara que muda de posição, criando possibilidades diversas, posições opostas.
O trabalho corporal do Alan combinou com as experimentações na composição. Criamos leveza nessas imagens, de um ser transparente, flutuante, brincando e se expressando com o corpo.
Ensaio Circense III, 2012. Cianótipo sobre papel.

Ensaio Circense IV, 2012. Cianótipo sobre papel.